Com produção musical assinada por No Cutty, o EP nasce da soma entre referências que atravessam a trajetória de Lara Orin e do produtor: música clássica, trap, drill, MPB e poesia falada
LGBTQIAP+, feminista e autista, Lara Orin encontrou na música um porto seguro, um espaço de inclusão profissional e também uma ferramenta de militância
À meia-noite desta sexta-feira (30/01), a cantora e compositora Lara Orin lança em todos os aplicativos de música o EP “A Cura”, um trabalho intenso, sensorial e profundamente autoral, que traduz em som, imagem e poesia o espectro emocional, artístico e neuro divergente da artista.
Com produção musical assinada por No Cutty, o EP nasce da soma entre referências que atravessam a trajetória de Lara Orin e do produtor: música clássica, trap, drill, MPB e poesia falada. O resultado é uma obra híbrida, densa e delicada, que propõe uma imersão completa nas emoções e vivências da artista. “‘A Cura’ é a projeção sonora do que eu sinto, do que vivi e do que ainda estou processando. É uma tentativa de organizar o caos interno e transformar dor em linguagem”, afirma Lara.
O projeto aborda temas sensíveis e urgentes como violência doméstica, abuso sexual, abuso psicológico, auto percepção, estresse pós-traumático e episódios de meltdown, conduzindo o ouvinte por uma experiência sensorial profunda e, ao mesmo tempo, acolhedora. “Eu quis falar de assuntos desconfortáveis de forma lúdica, usando símbolos, criando um mundo quase mágico para acessar essas memórias sem negá-las”, explica a artista.
Além do EP, “A Cura” ganha também um filme audiovisual concebido para ser consumido de forma integral, sem pausas ou distrações, ampliando ainda mais a imersão no universo do projeto. Com abordagem cinematográfica, o filme reúne todo o material audiovisual da obra e conta com sound effects de No Cutty, produtor que já atuou em projetos de artistas do mainstream do trap como Matuê, Teto, Orochi e MC Poze do Rodo. “A ideia era que som e imagem respirassem juntos, criando um fluxo contínuo de sensações”, conta Lara.
As filmagens aconteceram em Curitiba (PR), durante os dias mais frios do ano, e envolveram uma equipe de mais de 20 artistas da cena underground do audiovisual brasileiro. Em uma das cenas mais simbólicas, Lara foi submetida à submersão em águas abaixo de 10 °C, representando de forma literal o processo de resfriamento emocional proposto pela obra. “Foi um processo físico e emocionalmente desafiador, mas necessário. Meu corpo precisava sentir o que a narrativa pedia”, relembra.
LGBTQIAP+, feminista e autista, Lara Orin encontrou na música um porto seguro, um espaço de inclusão profissional e também uma ferramenta de militância. Nascida em São Paulo, iniciou sua trajetória cantando em bares de MPB, sertanejo e pop rock, até se reconhecer no trap como linguagem capaz de canalizar sua potência e verdade. “A arte sempre foi meu instrumento de cura, de assimilação, de auto aceitação e também de reinserção profissional”, afirma.
Com influências que passam por Rihanna, Masego, Don L, Duquesa, Yago O Próprio, Cynthia Luz, CJ, Criolo e Major RD, Lara começou a frequentar estúdios da cena em 2022, conectando-se a gravadoras e dando início ao projeto coletivo Orin. Após os singles “Jura” e “Vontade”, lançados pela AlmaViva em parceria com a Warner, a artista inaugura agora uma nova fase com “A Cura”.
“Busco conscientizar sobre a vulnerabilidade de mulheres neurodivergentes em relações atravessadas pela violência, mas também mostrar que o trap e seus artistas podem operar em altíssimo nível técnico, criativo e emocional, com raízes brasileiras muito claras”, destaca Lara. E completa: “A expectativa é que quem precise de ‘A Cura’ consiga encontrá-la. Que nossa arte possa somar, confortar e inspirar. Foi um trabalho longo, denso, de muita entrega. Tivemos que levantar o tapete da alma e encarar o que dava medo — espero que isso toque verdadeiramente as pessoas”.
CONFIRA A TRACKLIST DE “A CURA”:
1- Sussurros
2- Dose 1 Muda de Assunto
3- Dose 2 A Cura
4- Dose 3 Contrastes
