Close Menu
  • Música
  • Negócios
  • Famosos
  • Cultura
  • Saúde
  • Lifestyle
  • Moda
  • Gastronomia
  • Economia

Subscribe to Updates

Get the latest creative news from FooBar about art, design and business.

What's Hot

Dr. Marcio Moreira explica a cirurgia plástica após grande perda de peso e o que pode ser corrigido

16 de January de 2026

Betfair aponta Seattle Seahawks e Los Angeles Rams como favoritos a chegarem ao Super Bowl LX

16 de January de 2026

Murilo Huff lança remix do hit “Deixa Eu” em parceria com Rick Rastro e FELPE

16 de January de 2026
Facebook X (Twitter) Instagram
Facebook X (Twitter) Instagram
LifesGo
Button
  • Música
  • Negócios
  • Famosos
  • Cultura
  • Saúde
  • Lifestyle
  • Moda
  • Gastronomia
  • Economia
LifesGo
You are at:Início » Janeiro Branco: Do brain rot à indústria da raiva
Saúde

Janeiro Branco: Do brain rot à indústria da raiva

Fernando BragaBy Fernando Braga16 de January de 2026No Comments4 Mins Read
Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Tumblr Email
Share
Facebook Twitter LinkedIn Pinterest Email

A cultura da reação permanente revela os limites psíquicos de um tempo marcado pela hiperestimulação

Janeiro é apresentado no Brasil como o mês da saúde mental. Criado em 2014, o Janeiro Branco surgiu com o objetivo de levar ao espaço público temas como sofrimento psíquico, cuidado emocional e prevenção ao adoecimento mental. A escolha do mês não é casual: trata-se de um período socialmente marcado por balanços, promessas de recomeço e expectativas de mudança.

Mais do que um convite ao otimismo, a campanha propõe uma revisão da própria história emocional — vínculos, escolhas, modos de viver — além de cumprir um papel fundamental no enfrentamento aos estigmas que ainda cercam a saúde mental e a psicoterapia. No entanto, é justamente em janeiro que o mal-estar contemporâneo parece ganhar mais visibilidade.

“Não estamos apenas cansados de um ano que terminou. Estamos esgotados de um modo de existir que talvez já não nos sirva mais”, analisa a psicanalista Camila Camaratta.

Esse esgotamento coletivo ganhou nome nos últimos anos. Em 2024, o Dicionário Oxford escolheu brain rot como a Palavra do Ano — expressão que pode ser traduzida como “apodrecimento do cérebro” e que passou a nomear a sensação de deterioração mental provocada pela superexposição a conteúdos banais, repetitivos e hiperinflados. Já em 2025, o termo eleito foi rage bait: a produção deliberada de conteúdos pensados para provocar raiva e gerar engajamento.

“Essas palavras não descrevem apenas modismos linguísticos. Elas descrevem um estado psíquico coletivo”, afirma Camaratta.

Segundo a psicanalista, a brain rot não se refere a um simples excesso de informação. Trata-se de algo mais profundo: a perda progressiva da capacidade de sustentar a própria vida psíquica. “O sujeito não tolera silêncio, dúvida ou espera. Precisa estar continuamente excitado, interrompido, atravessado por estímulos que o salvem do encontro consigo mesmo”, explica.

A ideia não é nova na teoria psicanalítica. Freud já apontava que o aparelho psíquico adoece quando submetido a excitações que não conseguem ser simbolizadas. Winnicott, por sua vez, falava da importância do chamado “espaço potencial” — um intervalo interno necessário para a criatividade, o brincar e a elaboração emocional. Hoje, esse espaço parece cada vez mais ocupado por demandas constantes de reação.

Quando o pensamento falha, a raiva entra em cena.

“O rage bait não cria raiva, ele a explora”, diz Camaratta. “É um dispositivo de captura de afetos brutos. Não quer convencer, quer ativar. Não convoca o simbólico, convoca o reflexo.” Nesse processo, o ódio deixa de ser uma experiência subjetiva e passa a funcionar como engrenagem algorítmica.

No Brasil, esse fenômeno encontra um terreno especialmente fértil. O livro Brasil no Espelho, de Felipe Nunes, traça o retrato de um país marcado pela insegurança permanente: medo difuso, desconfiança entre as pessoas e sensação de abandono institucional. Ao mesmo tempo, valores rígidos de pertencimento — como família, fé e identidade — surgem como âncoras defensivas diante de um mundo percebido como ameaçador.

“Esse arranjo psíquico-social produz sujeitos fatigados, mas também extremamente sensíveis a estímulos que oferecem culpados, certezas rápidas e alívio imediato”, observa a psicanalista. “A raiva digital não é ruído. É sintoma.”

Forma-se, assim, um circuito fechado: quanto menos o sujeito consegue simbolizar, mais reage; quanto mais reage, menos consegue pensar. Entre a brain rot e a indústria da raiva, instala-se um modo de funcionamento que empobrece o pensamento e intensifica o mal-estar.

Para Camaratta, talvez seja hora de repensar o próprio sentido do Janeiro Branco. “Talvez ele devesse ser menos um apelo à felicidade e mais um gesto de resistência”, propõe. “Recusar a convocação permanente à raiva, sustentar o desconforto de não responder imediatamente, proteger o pouco de espaço psíquico que ainda resta.”
No tempo atual, cuidar da saúde mental não significa aprender a ser feliz o tempo todo. Significa, antes, aprender a não ser capturado.

Share. Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Tumblr Email
Previous ArticleOUTLET ARD 2026 — José Fontenele, CEO | Founder do ARD Grupo
Next Article Doença arterial periférica atinge até 20% dos brasileiros acima de 60 anos e exige atenção a sintomas silenciosos
Fernando Braga
  • Website

Related Posts

Dr. Marcio Moreira explica a cirurgia plástica após grande perda de peso e o que pode ser corrigido

16 de January de 2026

Dr. Octávio Curi Frascareli – Seios caídos após amamentação: por que acontece e quando a cirurgia pode ajudar

16 de January de 2026

Doença arterial periférica atinge até 20% dos brasileiros acima de 60 anos e exige atenção a sintomas silenciosos

16 de January de 2026
Leave A Reply Cancel Reply

Últimas da Life!

Dr. Marcio Moreira explica a cirurgia plástica após grande perda de peso e o que pode ser corrigido

16 de January de 20260 Views

Betfair aponta Seattle Seahawks e Los Angeles Rams como favoritos a chegarem ao Super Bowl LX

16 de January de 20261 Views

Murilo Huff lança remix do hit “Deixa Eu” em parceria com Rick Rastro e FELPE

16 de January de 20261 Views

Dr. Octávio Curi Frascareli – Seios caídos após amamentação: por que acontece e quando a cirurgia pode ajudar

16 de January de 20261 Views
Junte-se a nós!
  • Facebook
  • Twitter
  • Pinterest
  • Instagram
  • YouTube
  • Vimeo
Copyright © 2026. Designed by ThemeSphere.
  • Música
  • Negócios
  • Famosos
  • Cultura
  • Saúde
  • Lifestyle
  • Moda
  • Gastronomia
  • Economia

Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.