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Lifestyle

Por que o início do ano se tornou um gatilho emocional para milhões de pessoas

Fernando BragaBy Fernando Braga30 de January de 2026No Comments2 Mins Read
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Pressão por metas, comparação social e expectativas irreais transformam janeiro em um dos períodos mais emocionalmente desafiadores do ano, aponta a psicóloga Laura Zambotto

Tradicionalmente associado a recomeços e renovação, o início do ano tem se consolidado, na prática, como um período de aumento de frustração emocional, ansiedade e sensação de inadequação para grande parte da população. Dados recentes indicam que a virada do calendário, longe de aliviar tensões, tem funcionado como um gatilho psicológico coletivo.

Segundo levantamento da YouGov Global em parceria com a Statista, cerca de 65% das pessoas que estabelecem metas de Ano Novo abandonam seus objetivos antes do fim de janeiro, e mais de 80% desistem até março. No Brasil, pesquisas do Google Trends mostram picos de busca por termos como “mudança de vida”, “insatisfação pessoal” e “ansiedade” justamente nas primeiras semanas do ano.

Para a psicóloga Laura Zambotto, o problema não está no desejo de mudança, mas na forma como o recomeço é socialmente imposto. “Existe uma narrativa coletiva de que o ano precisa começar com energia, clareza e decisões radicais. Quando isso não acontece, muitas pessoas interpretam esse desalinhamento como fracasso pessoal”, explica.

O cenário é agravado pelas redes sociais. Um estudo da Royal Society for Public Health, no Reino Unido, já apontava a relação direta entre comparação social online e aumento de sentimentos de inadequação, especialmente em períodos simbólicos como início de ano. No Brasil, dados da FGV Social indicam crescimento consistente de relatos de sofrimento psíquico associado à comparação de desempenho, produtividade e estilo de vida.

Outro fator relevante é a expectativa de resolução imediata. Pesquisas em psicologia comportamental mostram que mudanças sustentáveis exigem tempo, repetição e integração emocional. Ainda assim, o discurso dominante reforça a ideia de transformações rápidas, o que aumenta a frustração precoce.

“Janeiro acaba funcionando como um espelho emocional. Ele não cria os problemas, mas revela o que já estava desalinhado. A pressão para começar tudo de novo ignora a complexidade dos processos humanos”, afirma Laura.

A especialista defende uma mudança de perspectiva: menos foco em recomeços simbólicos e mais atenção a ajustes graduais, coerentes com a realidade emocional de cada pessoa. “Reorganizar a vida não é apagar o passado, é compreender o que precisa ser ajustado sem violência interna. Uma das melhores formas de ter mais autoconhecimento é por meio de terapia, todos deveriam buscar. ”, conclui.

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